ResumoPolifarmácia é o uso de vários medicamentos ao mesmo tempo — comum no idoso que acumula receitas de diferentes especialistas ao longo dos anos. O risco não é só "tomar muito remédio": é a interação entre eles, que pode causar quedas, confusão mental e mal-estar sem que ninguém perceba a causa. A Dra. Ana Laura Bersani (Geriatra, RQE 38440) revisa o conjunto completo de medicamentos em Franca, presencial, domiciliar ou por telemedicina.
O que é polifarmácia? É o uso simultâneo de vários medicamentos — geralmente cinco ou mais —, comum em quem tem várias doenças crônicas acompanhadas por especialistas diferentes, cada um cuidando da sua parte sem necessariamente ver o quadro completo.
Por que a polifarmácia é tão comum no idoso
Com o passar dos anos, é natural acumular diagnósticos: pressão alta, diabetes, colesterol, artrose, insônia. Cada condição costuma vir com sua própria receita, muitas vezes prescrita por médicos diferentes que não conversam entre si. O resultado é uma lista de remédios que, somada, ninguém revisou por inteiro — e é exatamente nessa soma que mora o risco.
Os riscos reais de tomar muitos remédios juntos
- Interações medicamentosas — um remédio pode potencializar ou anular o efeito de outro
- Efeitos colaterais sobrepostos — tontura, sonolência e confusão de vários remédios somados
- Quedas — muitos medicamentos (sedativos, para pressão, diuréticos) aumentam o risco de queda
- Confusão mental — às vezes confundida com início de demência, mas causada pelos remédios
- Dificuldade de adesão — quanto mais remédios, mais fácil errar dose ou horário
Sinais de que vale revisar os medicamentos
- O idoso toma cinco ou mais remédios por dia
- Recebeu prescrições de três ou mais médicos diferentes sem revisão conjunta
- Apresenta tontura, sonolência ou confusão que começou depois de um novo remédio
- Já teve uma queda recentemente
- A família não sabe ao certo para que serve cada medicamento
Como o geriatra revisa os remédios (desprescrição)
A desprescrição é o processo de revisar, com critério médico, quais medicamentos ainda fazem sentido, quais podem ter a dose ajustada e quais podem ser retirados com segurança — sempre de forma gradual e acompanhada, nunca por conta própria. Na consulta geriátrica, a Dra. Ana:
- Reúne todas as receitas e remédios em uso, incluindo os de venda livre
- Avalia interações entre eles
- Verifica se cada remédio ainda tem indicação clara para o momento atual
- Ajusta doses ou substitui por opções mais seguras quando necessário
- Constrói, junto com a família, um plano claro de horários e doses
O que levar para a consulta
- Todos os medicamentos em uso — caixinhas ou lista completa, com dose e horário
- Suplementos e remédios de venda livre (muitas famílias esquecem de mencionar)
- Exames recentes, se houver
- Anotações sobre sintomas novos desde o início de algum remédio
Perguntas frequentes
Quantos remédios definem polifarmácia? +
Não existe um número mágico, mas a literatura geriátrica costuma considerar cinco ou mais medicamentos simultâneos como sinal de alerta para revisão.
Posso simplesmente parar de tomar um remédio que acho desnecessário? +
Não. Suspender ou trocar medicação sem orientação médica pode ser perigoso, mesmo que a intenção seja boa. A desprescrição é sempre conduzida por um médico, de forma gradual e acompanhada.
A revisão de remédios pode ser feita por telemedicina? +
Sim. Boa parte da revisão de medicamentos pode ser feita por videochamada, com a lista de remédios em mãos — é um dos usos mais comuns da teleconsulta geriátrica.
Isso substitui o acompanhamento com os outros especialistas? +
Não. O geriatra não substitui o cardiologista ou o endocrinologista — ele integra o que cada um prescreveu, olhando o conjunto e a segurança geral do tratamento.
Referências
- Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) — diretrizes de polifarmácia e desprescrição.
- Associação Médica Brasileira (AMB).