Resumo"Ela reclama do joelho todo dia, mas diz que é da idade." A dor crônica é uma das queixas mais comuns na geriatria — e uma das mais subtratadas, porque muita gente a aceita como parte inevitável de envelhecer. Não é. Dor que persiste por mais de três meses é uma condição de saúde que merece avaliação: ela tem causas identificáveis e o tratamento costuma reduzir a dor e devolver movimento, mesmo quando não faz a dor desaparecer por completo. Deixada de lado, a dor crônica rouba sono, apetite, humor e autonomia. A Dra. Ana Laura Bersani (Geriatra, RQE 38440) avalia e acompanha dor crônica em Franca — presencial, domiciliar ou por telemedicina.
O que é dor crônica? É a dor que persiste por mais de três meses, diferente da dor aguda, que avisa sobre uma lesão recente e passa quando ela cicatriza. A dor crônica perdeu essa função de alarme: ela permanece, mesmo quando não há nada de novo acontecendo, e passa a afetar o corpo inteiro — o sono, o ânimo, a disposição para sair da cadeira.
Por que a dor do idoso costuma ser subtratada
Existe uma combinação silenciosa que faz a dor do idoso ficar sem tratamento:
- A própria pessoa não conta. Muitos acham que "é da idade", não querem incomodar a família ou
temem que reclamar signifique mais exames e mais remédios;
- A família se acostuma. A dor que existe há anos deixa de ser vista como problema e passa a ser
vista como característica ("ele sempre foi assim, sempre resmungou do joelho");
- Quem tem demência não consegue relatar. Nessas situações a dor aparece como agitação, recusa de
banho, gemido ao ser mexido ou perda de apetite — e é facilmente confundida com "piora do comportamento";
- A queixa se dilui na consulta. Quando há muitas doenças e muitos remédios, a dor de todo dia
costuma ser a última coisa a ser conversada.
O resultado é uma pessoa que reduz a vida aos poucos: para de andar até a padaria, deixa de subir a escada, recusa o convite de sair. E essa perda vem quase sempre sem alarde.
O que costuma estar por trás
Na maioria dos casos há mais de uma causa somada. As mais frequentes:
- Artrose (desgaste das articulações) — joelhos, quadris, coluna e mãos, com rigidez que piora ao
iniciar o movimento e nos dias frios;
- Dores da coluna, incluindo compressões de nervo, que provocam dor irradiada para pernas ou braços;
- Osteoporose e fraturas, às vezes por trauma leve, com dor persistente nas costas;
- Dor neuropática — dor de origem no nervo, com queimação, formigamento ou choque, comum em quem
tem diabetes;
- Doenças inflamatórias das articulações;
- Dor após herpes-zóster (cobreiro), que pode continuar meses depois das lesões;
- Imobilidade e perda de músculo — quanto menos a pessoa se move, mais frágil e dolorido o corpo
fica, num ciclo que se alimenta.
O que a dor crônica provoca quando não é cuidada
Esse é o ponto que a família raramente conecta. A dor não fica isolada num joelho:
- Insônia — a dor interrompe o sono, e a noite mal dormida diminui a tolerância à dor no dia
seguinte;
- Humor — dor persistente está frequentemente associada a apatia, tristeza e perda de interesse;
- Perda de força e de músculo — a pessoa se move menos para não doer, e a perda de massa muscular
aumenta o risco de queda;
- Queda de apetite e perda de peso;
- Isolamento social — recusar convites por dor é uma das primeiras coisas a acontecer, e uma das
últimas a ser percebida;
- Mais remédios, com risco de interações quando são acrescentados sem revisar o conjunto todo.
Quando procurar avaliação (e quando é urgente)
Vale marcar uma avaliação quando a dor:
- Persiste por semanas ou já se tornou "normal" na rotina;
- Muda o que a pessoa faz — deixou de caminhar, de subir escada, de tomar banho sozinha;
- Atrapalha o sono ou o apetite;
- Vem com piora do humor ou com desânimo novo;
- Aparece em quem não consegue relatar (demência), na forma de agitação ou recusa de cuidados.
Procure atendimento imediato se houver: dor súbita e intensa, dor após queda (com suspeita de fratura), dor no peito, dor de cabeça súbita e diferente de tudo, febre associada à dor, perda de força ou de sensibilidade nas pernas, ou perda do controle da urina e do intestino junto com dor na coluna.
Como é o tratamento
Uma coisa é importante dizer com clareza: tratar dor crônica não é só escolher um analgésico. Na avaliação geriátrica, o cuidado é montado em várias frentes ao mesmo tempo:
- Entender a dor — onde dói, desde quando, o que melhora, o que piora e, principalmente, **o que a
pessoa deixou de fazer** por causa dela;
- Tratar a causa quando ela é tratável (artrose, deficiência de vitamina D, diabetes descompensado);
- Movimento com orientação — fisioterapia e exercício adequado são parte central do tratamento da
dor crônica; repouso prolongado costuma piorar, não melhorar;
- Cuidar do sono e do humor, porque dor, insônia e desânimo se sustentam mutuamente;
- Revisar todos os medicamentos — tanto o que pode estar faltando quanto o que pode estar
causando risco. Anti-inflamatórios usados por longos períodos, por exemplo, exigem cuidado redobrado no idoso por causa do estômago, dos rins e da pressão. Qualquer ajuste é decisão médica: nunca iniciar, trocar ou suspender remédio por conta própria;
- Combinar objetivos realistas com a família — o alvo é dor menor e vida maior: voltar a caminhar,
dormir bem, participar das refeições.
Um cenário comum é o de quem convive há anos com dor no joelho, foi reduzindo o que fazia e chega à consulta "porque ficou fraca". Ao olhar o conjunto — dor, sono, remédios e movimento —, o plano deixa de ser apenas um comprimido.
Perguntas frequentes
Sentir dor é normal na velhice? +
Dor é mais frequente com a idade, mas conviver com dor todos os dias não é normal nem inevitável. É uma condição de saúde, com causas identificáveis e tratamento — e aceitá-la como "coisa da idade" é o que mais atrasa o cuidado.
Por que a dor piora no frio? +
Muita gente com artrose relata mais rigidez e desconforto nos dias frios, e no inverno também se movimenta menos — menos movimento gera mais rigidez e mais dor. Manter a atividade possível, com orientação, costuma ajudar mais do que o repouso.
Como saber se um idoso com demência está com dor? +
Ele mostra em vez de dizer: agitação nova, gemido ao ser mexido, recusa de banho ou de caminhar, testa franzida, sono ruim, perda de apetite. Nessas situações, a dor deve sempre ser considerada e avaliada.
Dor crônica tem tratamento? +
Sim, e ele é mais amplo do que um remédio: tratar a causa, manter o movimento com orientação, cuidar do sono e do humor e revisar os medicamentos. O objetivo é reduzir a dor e recuperar função e autonomia.
Agende uma avaliação
Se o seu pai ou a sua mãe convive com dor todos os dias, parou de fazer coisas que fazia ou anda mais quieto e mais parado nesses dias de frio, vale marcar uma avaliação com a Dra. Ana Laura Bersani (Geriatra, RQE 38440), em Franca — presencial, domiciliar ou por telemedicina. Para agendar, chame no WhatsApp (16) 99174-0302.
Referências
- Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) — orientações sobre avaliação do idoso,
mobilidade e prevenção de quedas.
- Organização Mundial da Saúde (OMS) — envelhecimento saudável e capacidade funcional.
- Associação Médica Brasileira (AMB).